Dor crônica · 5 min de leitura
Dor crônica não é frescura: o que a ciência já sabe
Por Dr. Gustavo Göpfert · CRM 112930 SP - RQE 33988 ·

Quando a dor persiste por mais de três meses, ela deixa de ser apenas um aviso e passa a ser o próprio problema. Entenda por que isso acontece e o que pode ser feito.
A dor é um sinal de alerta necessário. Quando ela dura semanas ou meses, no entanto, o sistema nervoso pode se tornar mais sensível: estímulos antes inofensivos passam a doer, e a dor deixa de ter relação direta com a lesão original.
Esse fenômeno, chamado de sensibilização central, é bem documentado na literatura científica. Ele explica por que exames de imagem normais convivem com dor real e intensa — e por que tratar apenas a imagem raramente resolve.
O tratamento moderno da dor crônica é multimodal: identificação precisa da causa, medicação usada de forma estratégica, procedimentos minimamente invasivos quando indicados, retomada gradual do movimento e educação sobre dor.
O objetivo não é apenas reduzir a nota da dor, mas recuperar sono, trabalho, esporte e autonomia. Movimento, quando bem dosado, é parte do tratamento — não uma ameaça.
